terça-feira, 20 de março de 2012

A Industrialização dos Concursos Públicos



Ninguém nasce com o sonho de ser Funcionário Público. No entanto, a maioria das pessoas quer, sim, passar num concurso e ficar a vida inteira “batendo carimbo”. Por que será?

Por que vivemos no país da inversão de valores, onde ser atendente, no Senado Federal, significa ganhar mil vezes mais que um professor com Mestrado ou Doutorado. E que não interessa a sua inteligência, ou habilidade, desde que você passe no concurso. E que pouco importa qual seja a sua nota, desde que esteja acima da “nota de corte”. E muito menos qual o cargo que está concorrendo, pois, a maioria dos cargos exige nível médio ou “qualquer nível superior” (que especialidade é essa?).

E que as questões sequer avaliam a aptidão ou os conhecimentos técnicos específicos do candidato para um cargo especializado. E pouco importa se as melhores cabeças nunca conseguirão passar por que não têm tempo para decorar besteiras. Pois, o objetivo dos concursos não é profissionalizar o serviço público e sim arrecadar dinheiro com as inscrições. E que o montante relativo às inscrições pode chegar a milhões de reais e ninguém sabe onde vai parar.

Ademais, quanto mais concursos tiverem melhor para a “indústria paralela dos concursos públicos” que enriquece a cada dia. E que não é por que você estudou, passou dentro do número de vagas que você será nomeado. Portanto, não adianta nada investir tempo, dinheiro e esforço por que, simplesmente, você pode nunca ser chamado para preencher aquela vaga, que pode jamais estar disponível e que você, também, não tem como fiscalizar.

Enfim, estamos no país onde ser funcionário público virou profissão, concurso público virou indústria, e os candidatos viraram otários. E, por fim, ser professor só é vantagem para quem é o dono do cursinho. É ou não é a industrialização do concurso público?

Sylvana Machado Ribeiro é advogada em Brasília.


Um comentário:

  1. De todos os comentários sobre esta indústria de concursos públicos esta merece o Oscar.

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